Notícia de Guimarães

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Publicada em 09/08/2022 14:26:22

A TUPINAMBÁ QUE HABITA EM MIM


“Quem assumirá por mim?”. Essa foi a pergunta que transformou a vida de Elenilde Rabelo Silva, passando a ser um divisor de águas no cotidiano dessa legítima descendente dos tupinambás. Elenilde cresceu sem consciência da importância de suas raízes indígenas, imersa no esquecimento geral que até hoje persiste a respeito dos primeiros habitantes de Guimarães e redondezas.

Um dia, por volta de 2015, já adulta e morando na sede de Guimarães onde nasceu e cresceu, essa pergunta começou a ressoar em sua mente. Resolveu prosseguir os estudos em nível superior e fez parte da turma pioneira de Serviço Social cursada em Guimarães, sempre mobilizada por essas questões internas: “quem assumiria minha identidade indígena senão eu mesma?”. Sua mãe é neta de tupinambá, de quem herdou o conhecimento ancestral de preparar café a partir das emendas de coco babaçu. Seu pai é filho de tupinambá. Quem é Elenilde, afinal? Uma autêntica tupinambá!

Hoje com 42 anos e uma filha de 20, Elenilde trabalha dialogando com as comunidades vimarenses, procurando descobrir de que forma os descendentes indígenas podem se assumir, oficalmente, como povos indígenas. Há dois anos e meio está como servidora pública da atual gestão municipal, atuando como agente administrativo e desempenhando diferentes tarefas, tais como entrevistadora e digitadora do Cadastro Único.

“No momento, estou alocada no CDC - Conselho de Desenvolvimento Comunitário), e atuo como pessoa referente dos Conselhos (Casa dos Conselhos), dentro da Secretaria de Assistência Social e Desenvolvimento Comunitário (SASDECOM)”, conta Elenilde.

O resgate histórico e cultural dos povos originários de Guimarães tem sido uma das importantes ações da prefeitura, em parceria com o governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop), na construção e efetivação de políticas públicas voltadas para os povos indígenas e quilombolas.

“Nosso atual prefeito é historiador de formação, e tem se revelado muito sensível às causas dos povos originários. Em relação aos indígenas, estamos desenvolvendo uma importante aproximação com algumas comunidades, especialmente em Cumã, Genipaúba, Boa Esperança e Araoca, a fim de fundamentar as pesquisas para sistematizar as devidas políticas públicas”, conclui Elenilde.

 

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