Publicada em 22/04/2026 17:01:37
A conexão entre ciência, inovação e produção de alimentos ganha protagonismo na Feira Brasil na Mesa, evento que reúne, de 23 a 25 de abril, na Embrapa Cerrados (Planaltina-DF) tecnologias, produtos e experiências desenvolvidos a partir da pesquisa agropecuária brasileira. Em sintonia com a celebração dos 53 anos da Embrapa, a feira se consolida como vitrine concreta de como o conhecimento científico se transforma em soluções que chegam à mesa da população. O Maranhão marca sua presença no evento por meio da presença de quebradeiras de coco da Cooperativa dos Agricultores do Vinagre – Coomavi que desenvolveram alimentos com babaçu em parceria com pesquisadores da Embrapa Maranhão e da Universidade Federal do Maranhão – UFMA, da Embrapa Agroindústria Tropical, da Universidade Federal do Ceará - UFC, entre outros parceiros institucionais
A palmeira do babaçu é, tradicionalmente, uma fonte de diversos produtos que alimentam as comunidades locais e oferecem alternativas nutricionais e sustentáveis, além de novas opções de geração de renda para as organizações comunitárias de quebradeiras de coco do Maranhão. Grupos organizados por essas mulheres já produziam, a partir da amêndoa e da farinha do mesocarpo, pães, bolos, biscoitos, sorvetes e outros alimentos com babaçu, mas sem atender nichos de mercado que valorizam alimentos artesanais devido à falta de padronização, informações técnicas nos rótulos e regularidade.
A união dos saberes tradicionais das quebradeiras de coco e da pesquisa científica desenvolveu novos processos que resultaram em novas formulações (veganas) para o sorvete e o biscoito e, ainda, produtos alimentícios feitos com a amêndoa e outros subprodutos do babaçu, como o alimento tipo leite, análogo de queijo, hambúrguer e a farinha de amêndoa, ricos em lipídio, proteína e carboidrato. Para a feira, serão levados produtos de panificação (biscoitos e petas). Para compor a cesta de produtos que será entregue ao presidente Lula, a comunidade Pedrinhas Clube de Mães e a comunidade Vinagre enviaram produtos de panificação e o pó para bebida tipo café de amêndoas de babaçu.
O objetivo dos projetos liderados pela Embrapa Maranhão juntamente com parceiros institucionais e com grupos de mulheres foi desenvolver novos produtos e processos alimentícios, a partir do aproveitamento integral de partes comestíveis presentes no coco babaçu - demanda das próprias quebradeiras de coco -, aumentando a diversidade da “cesta de alimentos” e potencializando o valor agregado da identidade sociocultural e histórica dessas mulheres e de seus processos de produção e comercialização. Assim, os projetos buscaram atender a essa demanda mediante novos processos de produção e boas práticas de alimentos à base de babaçu.
A pesquisadora da Embrapa Maranhão Guilhermina Cayres, líder da pesquisa, diz que os novos alimentos foram desenvolvidos em processo de inovação social, em conjunto com as quebradeiras de coco, considerando as condições específicas das agroindústrias comunitárias e suas práticas tradicionais, integrando melhorias e padronizações - incluindo as boas práticas de processamento, qualidade e segurança alimentar – e levando em conta também a aceitação sensorial do produto, a agregação de valor às amêndoas quebradas e a diversificação de produção.
“Os novos produtos agregam valor e ampliam os nichos de mercado que valorizam também a identidade sociocultural de povos e comunidades tradicionais do Maranhão, gerando inclusão produtiva e riqueza com baixo impacto ambiental, promovendo a cadeia produtiva local e a autonomia das comunidades. O foco da pesquisa vai além do produto e abrange o desenvolvimento das quebradeiras de coco para que possam fortalecer suas organizações e usufruir dos benefícios da ciência, com produtos de preço justo e agregação de valor e renda aos seus negócios”, completa.
Para o sorvete e o biscoito, pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal do Maranhão apresentaram receitas saudáveis e funcionais (sem lactose, sem glúten e sem açúcar de adição), diferentes das receitas convencionais que levam como ingredientes alimentos processados a exemplo da margarina, do leite condensado, do creme de leite e outros, demonstrando que há inúmeras possibilidades de criação de receitas com babaçu mais nutritivas e saudáveis.
Já o hambúrguer e a farinha de amêndoa são produtos inovadores e uma alternativa à base de vegetais (vegana). Foram desenvolvidos para o aproveitamento 100% do coco babaçu, incluindo coprodutos e resíduos que seriam descartados (como o bagaço e casca de banana), o que reduz o desperdício e agrega valor a um recurso local, fortalecendo a bioeconomia e o desenvolvimento sustentável.
Para tal, o bagaço da amêndoa - até então resíduo da extração do óleo da amêndoa – foi transformada em farinha da amêndoa, matéria-prima para outros produtos, como o análogo do hambúrguer, e incluída em formulações de biscoitos, pães, bolos, mingaus e sorvetes, resultando em mais economia e satisfação dos consumidores.
A amêndoa de coco babaçu também é a principal matéria-prima do análogo vegetal de queijo e da bebida tipo leite desenvolvidos pela Embrapa, que podem substituir derivados de leite, para quem não pode ou não deseja consumir lácteos tradicionais.
O Maranhão e o babaçu - O babaçu é um produto da sociobiodiversidade brasileira que garante a base da economia extrativista de milhares de famílias de comunidades tradicionais localizadas principalmente no Maranhão, Tocantins, Pará e Piauí. O Maranhão concentra mais de 90% do total das amêndoas dessa palmeira produzidas e comercializadas no País.
As centenas de comunidades nas quais o extrativismo de babaçu é tradicionalmente praticado se caracterizam pelo destaque e protagonismo das quebradeiras de coco, cuja identidade sociocultural é vinculada à extração da amêndoa para subsistência e comercialização. São mais de 300 mil mulheres que vivem da atividade e, ao longo do tempo, ficaram à margem do processo de desenvolvimento.
Feira Brasil na Mesa -. O evento tem como objetivo valorizar os alimentos da sociobiodiversidade brasileira e aproximar produtores, pesquisadores e consumidores. A iniciativa reforça o papel da pesquisa pública na promoção do desenvolvimento sustentável e na valorização de saberes tradicionais.
A participação na feira também representa uma oportunidade estratégica para ampliar mercados e conectar os produtos da agricultura familiar e de comunidades tradicionais a novos públicos. A programação do evento inclui degustações, feira de produtores e experiências gastronômicas, criando um ambiente propício à valorização desses alimentos e ao fortalecimento da sociobiodiversidade brasileira.
Publicada em 22/04/2026 17:01:37
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